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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Marcador distribuído por uma livraria de Paris

Este marcador de livros eu recebi de uma amiga francesa que os coleciona. Como eu havia contado da idéia de fazer o blog, ela o mandou para que fosse colocado. Vejam a xícara (eu acho que de café) escondidinha na segunda linha.

Museu Histórico Nacional - Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Este Museu, criado em 1922, é um dos mais importantes do Brasil, reunindo um acervo de mais de 287.000 itens. O conjunto arquitetônico que abriga o Museu desenvolveu-se a partir do Forte de Santiago, na Ponta do Calabouço, um dos pontos estratégicos para a defesa da cidade do Rio de Janeiro.
As fotos e informações aqui contidas estão no Livro "O MUSEU HISTORICO NACIONAL - MHN", editado pelo Banco Safra em 1989. As fotos são de Rômulo Fialdini.

1. Xícaras de porcelana e prata dos séculos XVIII e XIX (peças ara consomê, chá e café) – pertenceram à casa Imperial do Brasil e à nobreza do Império
2. Xícara de chá de porcelana francesa do século XIX, com proteção para bigodes – pertenceu ao Barão de Vasconcelos (José Smith de Vasconcelos)
3. Xícara de café de porcelana do século XIX. Nela está estampado o monograma do Visconde de São Francisco (José Pacheco Júnior)
4. Serviço de café de porcelana francesa “casca de ovo” do século XIX – pertenceu à Princesa Isabel

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Claude Monet, meu pintor predileto

The tea set (1872)

Lindo quadro do artista francês Claude Monet (1840-1926).

A casa dos cacos


Todos os dias, ao sair de casa no Bairro Carlos Prates em direção ao trabalho, Carlos Luiz de Almeida passava no Café Nice, na Praça Sete. Após tomar o tradicional café forte, o geólogo discretamente deixava a xícara cair no chão. Pedia, além das desculpas, para que o garçom o deixasse levar os cacos para casa. A freqüência com que as quedas aconteciam intrigava os funcionários. Como podia um senhor quebrar uma xícara toda vez que visitava o estabelecimento? O resultado está a pouco mais de 20 quilômetros dali. São 832 xícaras que, juntas, formam uma imensa parede de porcelana.

Por si só a parede de xícaras seria suficiente para chamar a atenção dos que passam em frente à casa de número 132 da rua Inglês Glasman. Mas ela se junta a outras dezenas de paredes e objetos que formam a Casa dos Cacos de Louça, resultado do sonho de um cidadão que resolveu transformar seu tempo livre em arte. Fechado há quase uma década, por falta de manutenção, um dos mais importantes bens tombados pelo Patrimônio Histórico da cidade de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, esconde uma história de ousadia e persistência.

Em setembro de 1963, com pouco mais de 50 anos de idade, Carlos resolveu ocupar o tempo livre com a reforma do banheiro de sua casa de descanso, em Contagem. Mas ele queria uma coisa diferente, com movimento. Resolveu, então, emendar pedaços de azulejos velhos que, juntos, ganhavam vida através de desenhos. Paredes, pia, banheira e até o sabonete, tudo foi coberto com cacos coloridos. Como sobrou material, o gelólogo/artista resolveu cobrir outra parede, e depois outra, até que, um dia, decidiu: queria toda a casa coberta com porcelana em pedaços. A família reagiu de imediato, acreditando que ele estava louco, mas acabou se convencendo com as idéias do patriarca. “Se o poeta junta palavras para fazer sua poesia, porque não juntar os meus cacos para fazer a casa dos meus sonhos”, justificava.

Foram mais de 27 anos de trabalho até que a casa ficasse todinha coberta por cacos de louça. Aos poucos, a paisagem do bairro Bernardo Monteiro ia mudando. Todos queriam ver a obra mais ousada e inovadora da cidade. Até o popular Chacrinha fez questão de conhecer a casa, que foi aberta para visitação pública. Em todas as entrevistas, Seu Carlos pedia para que os visitantes doassem cacos para contribuir com o término da sua obra de arte. Aí apareceram porcelanas vindas de Portugal, Itália, França e até do Japão. Sem querer, o geólogo tinha virado artista e sua casa se tornou um ponto turístico da cidade.

Na fachada, em tons de branco e azul, estão estrelas, peixes, borboletas e até um galo que dá as boas-vindas aos visitantes. Tudo feito com restos de pratos, copos, conjuntos de jantar. A varanda mais parece um zoológico, com cavalos, carneiros e até uma família de elefantes. Um deles chamava a atenção das crianças. Era o Fifi que, além de grande, falava. Na verdade, era Seu Carlos que ficava escondido dentro da estátua enquanto a meninada visitava o parquinho. Em poucos minutos, todos largavam os brinquedos para bater um papo com o animal.

O idealismo do artista influenciou os vizinhos e logo outras casas da rua já sofriam influência das idéias do artista. Carlos morreu em 1989 e, desde então, o futuro da Casa dos Cacos é incerto. Na década de 90, a Prefeitura de Contagem adquiriu o imóvel da família e fez o tombamento junto ao Patrimônio Histórico Municipal. Desde então, o espaço está fechado para a visitação pública. Com o tempo, os cacos estão caindo e a história se perdendo. Enquanto o mosaico está na moda em todo o mundo, um grande exemplar dessa arte se perde bem próximo de nós.

Publicado originalmente no blog do Rafael Araújo em 7 de março de 2009
www.rafaelaraujo.blog.br

sábado, 26 de dezembro de 2009

Porcelana Chinesa

"A Yixing Teapot and a Chinese Porcelain Tete-a-Tete on a Partly Draped Ledge"
Quadro do pintor holandês Pieter Gerritsz van Roestraten (1630-1700)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Origem das xícaras

Existiram objetos semelhantes a xícaras (tigelas com alças) na Grécia de dois mil anos atrás. Também havia objetos parecidos com canecas feitos por povos pré-colombianos. Entretanto, quando o chá começou a ser popularizado na Europa, principalmente na Inglaterra, vindo do oriente, vieram junto as porcelanas chinesas e japonesas. Assim, o chá, inicialmente, era tomado em tigelas (bowl em inglês, bol em francês), da mesma forma que faziam os orientais.

A história do chá se iniciou na antiga China há 5.000 anos. De acordo com a lenda, o jovem imperador Shen Mong era um hábil soberano, criativo cientista e também patrono das artes. Seu avançado senso de organização, entre outras coisas, determinava que toda e qualquer água, para ser ingerida, deveria ser fervida, como precaução higiênica. Certo dia, durante o verão, quando visitava uma região distante de seu império, ele sua corte pararam para descansar. De acordo com suas ordens, quando os servos ferviam a água para consumo dos membros da corte, folhas secas de um arbusto próximo caíram sobre a água fervente e um líquido de coloração castanha começou a infundir-se na água. Como era cientista, o imperador se interessou pelo novo líquido, bebeu um pouco e o considerou muito refrescante. E então, de acordo com a lenda, foi criado o chá. O seu consumo se espalhou pela cultura chinesa, alcançando todas as classes da sociedade.

Muitas lendas relatam a possível origem do café. Uma das mais aceitas e divulgadas é a do pastor Kaldi, que viveu na Absínia, hoje Etiópia, há cerca de mil anos. Ao ver a agitação das cabras de seu rebanho após a ingestão de alguns frutos do cafeeiro, ele provou os frutinhos avermelhados, comprovando seu poder excitante. Kaldi comentou sobre o comportamento dos animais com um monge da região, que decidiu experimentar o poder dos frutos. Ele começou a utilizar os frutos na forma de infusão, percebendo que a bebida o ajudava a resistir ao sono enquanto orava ou em suas longas horas de leitura do breviário. Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monastérios, criando uma demanda pela bebida. As evidências mostram que o café foi cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no Yemen.

Xícaras desenhadas especialmente para café, chocolate ou chá começaram a aparecer na Europa no século XVII. Essas bebidas eram muito caras e os primeiros utensílios eram feitos de prata, para as pessoas mais ricas. O uso da prata era, entretanto, inviável, porque o líquido quente deixava as xícaras também quentes e difíceis de serem manuseadas. O arquit4eto inglês Robert Adam, em 1750, preocupado e incomodado com as pessoas queimando os dedos, sugeriu ao seu amigo, o ceramista Josiah Wedgwood, a colocação de alças nas tigelas. Estava criada a xícara de chá como a conhecemos. A firma Wedgwood & Sons, fundada em 1759, prosperou e ainda hoje fabrica peças de porcelana (ou faiança). Na medida em que a cerâmica era desenvolvida, no século XVIII, as xícaras de prata começaram a desaparecer.

No período de 1700 havia, em toda a Europa, centenas de casas de café e chocolate, onde as pessoas podia se encontrar para discutir as novidades do dia, encontros políticos, combinar casamentos, jogar e muitas outras atividades. Dizem que a mundialmente conhecida companhia de seguros Lloyd’s of London Insurance Company começou a ser pensada em um encontro em uma Cafeteria. Outra história conhecida é que os planos para a Revolução Americana eram discutidos na Merchants Coffeehouse em New York em 1738.

O aumento da popularidade do chá e do café levou-os a serem consumidos nas casas, tornando-os acessíveis aos homens comuns e aumentado a indústria da porcelana através do mundo.
Até 1800 as famílias abastadas brasileiras importavam sua louça (porcelana) diretamente da Inglaterra e da França. Com a vida da família real portuguesa e sua corte em 1808, vieram também as porcelanas finas e pratarias usadas na Europa.

Xícara alemã

Xícara de chá alemã, marca OTTO

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A maior xícara de café do mundo


No Dia Nacional do Café (24 de maio de 2008) o município de Brejetuba, no interior do Espírito Santo, considerado o segundo maior produtor de café arábica do Brasil, quer agora o título de maior xícara de café do mundo.
A xícara, que demorou dois meses para ficar pronta, tinha 2,3 m de diâmetro e 1,5 m de altura. O pires tinha 3,4 m de diâmetro. Ambos eram de aço inox e foram fabricados pela empresa Fimag, de Cariacica, cidade da região metropolitana de Vitória. A xícara recebeu 3,5 mil litros de café, feitos com 300 kg de pó de café, colocados em um coador de 2 m de diâmetro, 2,5 m de altura e com 12 camadas de tecido.
As duas peças custaram R$ 24,8 mil. "Ficamos surpresos com a encomenda e realmente deu muito trabalho. Precisamos usar várias placas de aço inox. Mas foi um trabalho incrível e ficamos muito satisfeitos com o resultado, disse Jaci da Silva Vieira, o gerente comercial da empresa Fimag.
A xícara foi colocada na praça Celestina Xista Badaró, a principal do município, e foi apresentada aos moradores da cidade duante o 1º Festival Café e Cultura do município. O técnico da Secretaria da Agricultura de Brejetuba, Vanildo Pagio, explica que a bebida levou cerca de uma hora para ser coada e foi servida para quem participou do festival
A prefeitura de Brejetuba fez contato com os editores do Guinness Book, o livro dos recordes, na Inglaterra. Segundo o técnico da Secretaria da Agricultura de Brejetuba, Vanildo Pagio, a solicitação de que o "cafezinho" fosse registrado no livro como o maior do mundo já foi aprovada.
Caso seja reconhecido oficialmente pelo Guinness, o "cafezinho" de Brejetuba, vai superar o recorde de uma empresa de cafés do Panamá, que fez 2.840 litros da bebida em 2007.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Alice no país das maravilhas (2010)

Esta nova versão do filme, apresentada pela Walt Disney Pictures e dirigida por Tim Burton, será lançada no dia 5 de março de 2010 nos Estados Unidos. O lançamento no Brasil será no dia 16 de abril.
O elenco tem como atores principais Mia Wasikowska (Alice), Johnny Deep (Chapaleiro Maluco), Anne Hathaway (Rainha Branca) e Helena Bonham Carter (Rainha Vermelha).
Nesta versão, Alice, com 19 anos, retorna ao país das maravilhas, lugar já visitado e esquecido, onde reencontra velhos amigos para novas aventuras.


Alice no país das maravilhas (1951)

Baseado no livro de Lewis Carroll, o desenho animado, em longa metragem e produzido por Walt Disney foi lançado em 1951. Não é somente um filme agradável aos olhos, é também extremamente divertido e dá ao seu espectador 75 minutos de muito entretenimento.
As cenas do chá tomado por Alice com o Chapeleiro Maluco e a Lebre de Março são lindas.


O estilo das gags utilizadas dá a idéia de que o plausível é ignorado mas nunca contestado, como pode ser visto na cena em que a Lebre Maluca atende ao pedido de Alice por meia xícara de chá fatiando a mesma ao meio (desafiando também as leis da gravidade).

Alice no país das maravilhas

Do autor inglês Lewis Carroll, o livro conta a história de uma menina chamada Alice que cai em uma toca de coelho e vai parar num lugar fantástico povoado por criaturas peculiares. Sua primeira edição foi em 1865.
As brincadeiras e os enigmas que ele trás muito contribuiram para sua popularidade. O autor também faz alusões a poemas da era vitoriana, o que torna a obra mais difícil de ser compreendida por leitores contemporâneos.
Tendo sido traduzido para mais de 50 línguas, é uma das obras escritas da literatura inglesa que tiveram mais adaptações na história do cinema, TV e teatro. Segundo os biógrafos de Carroll, o livro foi lido por Oscar Wilde e pela Rainha Vitória (da Inglaterra).
Entre os muitos personagens, estão o Chapeleiro Maluco e a Lebre de Março totalmente loucos (como todos os moradores do País das Maravilhas) que estão sempre tomando chá, porque, segundo eles, o Chapeleiro brigou com o tempo e sempre são 6 horas da tarde para eles.



Ilustração da edição original do livro.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Fabrício Carpinejar

[...] Todas as xícaras da minha avó, porcelana francesa, apresentavam a asa quebrada Eu ardia de frio ao entrar na casa amarela da esquina. Medo eufórico, de criança escovando um cavalo. Medo do coice, do imprevisível. Não havia olho mágico. Pelo estilhaço da porta identificam-se as visitas. Não consertaram o vidro, que apressava a pupila até a rua. [...]

Todas as xícaras de minha avó, porcelana francesa, apresentavam a asa quebrada. Dava uma pena ver as peças trincadas. Perguntei para vó quem fez aquele estrago, louco para condenar um parente e conquistar a intimidade da tristeza. A vó riu sozinha: "fui eu!". Pegou uma chave pequeníssima, presa em seu colar, e abriu a gaveta a mostrar uma pilha de asas de xícaras. "Assim as xícaras nunca serão roubadas".


Texto extraído do conto “As patas do pátio”, de Fabrício Carpinejar.
Caixas do Sul, RS, fevereiro de 2005

Dumingaz

Maravilha! Sensual!
Dumingaz! Dumingaz! Dumingaz! Dumingaz!...
Eu vou rezar prá esse
Domingo não chover
Pois eu quero passear
No parque novamente
De mãos dadas com você...
Dumingaz! Dumingaz! Dumingaz! Dumingaz!...
Mais um domingo sem você

Já não agüento mais
Mais um domingo sem você
Isso já é demais
Já não agüento mais...
Dumingaz! Dumingaz! Dumingaz! Dumingaz!...
Lalá Lalalalalalalalá

Lalá Lá!
Lalá Lalalalalalalalá
Lalá Lá!...
Quero tomar chá de jasmim

Com você de novo
Embaixo daquela árvore florida
Naquela xícara misteriosa
Que a vovó ganhou da baronesa
Aquela xícara miraculosa
De porcelana de sachê
De porcelana de sachê...
Dumingaz! Dumingaz! Dumingaz! Dumingaz!...
Lalá Lalalalalalalalá

Lalá Lá!
Maravilha!
Lalá Lalalalalalalalá
Lalá Lá!
Sensual!...
Lalá Lalalalalalalalá
Lalá Lá!
Esse som vai prá
Dumingaz dormir
Lalá Lalalalalalalalá
Lalá Lá!
Nos meus braços[...]

Letra e música de Jorge Ben Jor , incluída no álbum "Solta o Pavão" (1975)

da Universal Music do Brasil

Xícaras brasileiras

Mini-xícaras de café brasileiras, sem marca impressa.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Declaração de amor na xícara de café

Uma xícara de café para os apaixonados



Vejam que idéia original. Essa xícara, criada pelo designer sul-coreano Sunman Kwon. Conforme a xícara vai ficando vazia começa a aparecer um desenho que, no final, revela o coração (março de 2008).

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Mulher russa é presa após atirar xícara na Mona Lisa


Xícara como arma???

Uma mulher russa foi presa após jogar uma xícara de cerâmica no quadro Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, no Museu do Louvre, em Paris, na França.

"A mulher jogou uma xícara vazia na Mona Lisa, mas nenhum dano ocorreu e a xícara se quebrou quando atingiu a barreira de proteção da pintura' — disse David Madec, porta-voz do Louvre.

Ela escondeu o objeto em uma bolsa e depois disse à polícia que estava chateada por não ter conseguido a nacionalidade francesa. O ataque ocorreu no dia 2 de agosto. Ela foi solta, mas responde a um processo do Louvre.

A obra de Leonardo da Vinci — uma das mais valiosas do museu — é protegida por uma barreira transparente à prova de balas.

(notícia publicada em vários jornais do mundo em 11-08-2009)

Minha coleção

Belíssima xícara de chá: branca, com detalhes azuis e dourados. Infelizmente não tem marca estampada ou nome do fabricante (foi comprada nos Estados Unidos).

A xícara

A bela e antiga xícara de porcelana se encontrava paradinha na ponta da mesa, onde fora deixada por um dos moradores daquela casa na noite anterior. E aquela não era uma simples xícara, era uma obra rara do início do século e último ítem de um conjunto de xícaras, pires, pratos, dentre outros itens, os quais, depois de quase um século, já estavam bem longe, quebrados e inutilizados.

O conjunto havia sido presente de casamento dos ex-donos da casa e descendentes brasileiros mais remotos e os mesmos haviam ganhado de seus pais, da realeza portuguesa.

O item em questão era belíssimo, todo pintado à mão. Nele estava desenhada uma floresta verde com lindas flores rosas e azuis e um lindo coelhinho amarelo claro, que sorria docemente. A xícara não tinha nem um arranhão, nem um risquinho errado. Era perfeita.

E seria por muito tempo, mas fora deixada no canto da mesa. Provavelmente por engano. Ora! Quem deixaria uma raridade dessas no cantinho da mesa tão fácil de ser quebrada? Não sabemos e nunca saberemos, até porque nunca foi ninguém.E continuando a história, la estava a pobre xícara, solitária. Todos passavam ao seu redor e não viam.

Quase caiu quando alguém passou rapidamente em direção à geladeira. Apenas deu uma leve balançadinha e voltou ao seu lugar. A pessoa voltou, dessa vez bem lentamente, mas passou longe.

Alguém mais apareceu e resolveu lavar a louça. Na hora de secar puxou o pano de prato seco que estava em cima da mesa. O mesmo roçou na alça da bela xicarazinha que balançou novamente. Graças a Deus foi rápido demais para derrubá-la.

Apareceu de repente uma criancinha que era mais baixa que a mesa. Ela tentou e tentou pegar um briquedo que estava perto da xícara... Acalmem-se! Alguem pegou o brinquedo e deu à criancinha. E nem sequer viu a antiguidade na mesa.

Abriram a porta da rua e saiu de lá um enorme Pastor Alemão, louco por brincar, cheio de energia, correndo pela cozinha, eufórico, alegre, fazendo a maior bagunça.

Foi o fim da bela e antiga xícara portuguesa do início do século.

Larissa Pontes Hübner
Guaíba, RS, 2008

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O segredo da xícara cor de nuvem

Autora: Sonia Barros
Ilustrações: Ana Terra



O segredo da xícara cor-de-nuvem é uma história encantada e, ao mesmo tempo, real. Uma princesa de porcelana em seu castelo-cristaleira passando de geração a geração. História de Aninha, que um dia foi menina, neta de Ana, e hoje é avó da menina Marina. O segredo tão secreto, quando, enfim, revelado, mostra que pequenos instantes podem ser grandes, como uma xícara transbordante de afeto a ser compartilhado. Pois a vida só vale quando existe partilha (resumo peparado pelo site thhp:://literatura.moderna.com.br)

A autora, Sônia Barros, nasceu em São Paulo em 1968 e reside em Santa Bárbara d'Oeste, interior do estado. Cursou a faculdade de Letras na Universidade Metodista de Piracicaba e deu aulas de Língua Portuguesa por dez anos. Tem vários títulos publicados para crianças e jovens e escreve poemas infantis para a revista "Recreio", da editora Abril. Estreou na literatura para o público adulto com o livro de poemas "Mezzo vôo" (Nankin), premiado pela Secretaria de Estado da Cultura.

Café expresso

Café-expresso — está escrito na porta.
Entro com muita pressa. Meio tonto,
por haver acordado tão cedo...

E pronto! parece um brinquedo...
cai o café na xícara pra gente
maquinalmente.

E eu sinto o gosto, o aroma, o sangue quente de São Paulo
nesta pequena noite líquida e cheirosa
que é a minha xícara de café.

A minha xícara de café
é o resumo de todas as coisas que vi na fazenda e me vêm à memória
apagada...

Na minha memória anda um carro de bois a bater as porteiras da
estrada...


Na minha memória pousou um pinhé a gritar: crapinhé!
E passam uns homens
que levam às costas
jacás multicores
com grãos de café.

E piscam lá dentro, no fundo do meu coração,
uns olhos negros de cabocla a olhar pra mim
com seu vestido de alecrim e pés no chão.

E uma casinha cor de luar na tarde roxo-rosa
Um cuitelinho verde sussurrando enfiando o bico na catléia

cor de sol que floriu no portão
E o fazendeiro, calculando a safra do espigão...

Mas acima de tudo
aqueles olhos de veludo da cabocla maliciosa a olhar pra mim
como dois grandes pingos de café
que me caíram dentro da alma
e me deixaram pensativo assim...

CASSIANO RICARDO
1895 - 1974

Três quadros de Pablo Picasso

Xícaras têm sido usadas por muitos pintores para a composição de cenas em seus quadros (chás, reuniões, meditação, etc.).

Aparecem também como tema principal em muitos deles. Nessas três fotos, aparecem xícaras pintadas por Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973).

1. Coffee pot and cup
2. Coffee pot
3. Coffee pot

ESTAS DEVEM SER AS XÍCARAS MAIS CARAS DO MUNDO! :-))

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Elas foram salvas da 2ª Guerra Mundial

Xícaras alemãs da primeira metade da década de 1940.
No fundo está gravada a marca "C.T. (Tielsch-Altwasser) Germany".

Minha coleção de xícaras

Xícara japonesa, a nº 1 da minha coleção.

Tem gente que gosta de colecionar coisas: selos, tampinhas de garrafas, estatuetas, pinguins de geladeira, carrinhos, miniaturas, xícaras, etc., etc., etc. Mas o legal de colecionar não é só conseguir aquela figurinha difícil, um disco raro, a edição de um livro que mais ninguém tem: é mostrar, expor, exibir para os outros essas pequenas preciosidades.

Eu coleciono xícaras. Nos últimos 31 anos venho ajuntando xícaras de café, chá ou chocolate e tenho mais de 350 atualmente. Se considerarmos os pires são cerca de 700 peças, pois 99% delas vêm acompanhadas de seus respectivos.

Comecei a colecionar xícaras por acaso. No final da década de 1970 uma vizinha, Fátima, me deu de presente uma xícara de café de origem japonesa que tinha sido de sua mãe e era a última de um jogo de café usado em casa quando ela era adolescente. Foi um gesto gentil e eu a guardei com cuidado durante algum tempo. Um dia, uma amiga me perguntou o que eu queria ganhar no meu aniversário e eu, sem pensar muito, respondi: “xícaras, vou colecionar”. Hoje em dia tenha várias xícaras japonesas, algumas bem semelhantes àquela nº 1, mas esta está marcada, é a “indês” da minha coleção.

No início eu pretendia colecionar somente as de café, mas ganhei algumas xícaras de chá e eram tão bonitas que resolvi colecionar os dois modelos. Já tive mais exemplares, mas decidi, há uns três anos, me desfazer das xícaras com propaganda estampada e ficar somente com as outras. Assim, dei quase todas para um amigo que as levou para seu apartamento na praia, onde são usadas no dia a dia. Eu trabalhei durante 34 anos em uma universidade e os colegas sabiam da minha coleção, de modo que, quando iam para algum lugar e viam uma xícara diferente, me traziam e a coleção foi umentando, com peças do de vários países (hoje são mais de 20 representados) e muitos lugares do Brasil.

Quando viajávamos, sempre procurava conhecer os antiquários, onde ficava garimpando e procurando xícaras diferentes. Certa vez, em Lucerna (Suíça) eu achei uma portinha onde havia muitas coisas antigas, misturadas, empoeiradas e, lá no fundo de uma prateleira, uma xícara. A velha senhora que tomava conta da loja, vendo que eu era turista, pediu logo um preço alto por aquela única xícara que havia no seu acervo. Fiquei um bom tempo pechinchando até que consegui comprá-la por um preço bem abaixo do inicialmente pedido.

Eu nem imaginava o quanto as pessoas se impressionam com a coleção, que fica bem protegida em um armário com portas e prateleiras de vidro na minha sala de jantar, até que recebi, da filha de uma amiga, casada com um alemão e que vive em Darmstadt, uma caixa contendo 7 xícaras brancas, com frisos dourados, com a marca C.T. (Tielsch-Altwasser) Germany. Com evidentes sinais de uso, duas delas tinham pequenas trincas na borda. Junto, um bilhete: “Dona Irene, eu pensei que a senhora seria a única pessoa que preservaria essas xícaras da destruição. Elas eram de um jogo de pratos e xícaras que a avó de meu marido conseguiu carregar quando fugia de um lugar para outro na Alemanha durante a 2ª Guerra Mundial. Os pratos e pires se quebraram ... elas sobreviveram e eu quero que fiquem com a senhora.”

Além de terem uma história própria, as xícaras de minha coleção acabam fazendo parte de minha história, pois me lembram momentos felizes, lugares, histórias, pessoas queridas (meus irmãos, cunhadas e sobrinhos são grandes provedores da coleção).