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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Uma historinha da vida real

O programa “Mais Você” de 19-11-2014 abordou o tema “saudade” e uma pergunta foi feita a vários atores que estavam no Projac, da Rede Globo:  “Será que mergulhar nas recordações faz bem?”


 Em eu depoimento a atriz Marina Ruy Barbosa disse que “um objeto faz você lembrar de tanta coisa boa ...” e mostrou dois itens especiais para ela: “eu ganhei estas duas xicrinhas de uma pessoa muito especial. E quando me deu, ela me disse a seguinte frase: é pra você nunca se esquecer de mim”.
 
 
Isto aconteceu durante as filmagens da novela Belíssima, em 2005. “Claro que eu nunca poderia esquecer da Fernanda, é impossível esquecer dela. E eu guardo estas xicrinhas com todo carinho”. 

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Entrevista com Ferreira Gullar

Na tarde do dia 19 de fevereiro de 1997, na redação de Poesia Sempre, o poeta Ferreira Gullar concedeu uma longa entrevista à revista sobre o problema da poesia na crítica literária e da cultura brasileira. Estavam presentes o editor-geral da revista, Antônio Carlos Secchin que atuou também como mediador, o editor executivo Ivan Junqueira e os editores adjuntos Adriano Espínola, Jorge Wanderley, Moacyr Félix, Neide Archanjo e Suzana Vargas. Transcrevo aqui uma das respostas do poeta.
[...] assim nasceu "Nasce o poema", onde tento descrever como surge a poesia quando um flâneur caminha solitário em meio à multidão. Ninguém sabe exatamente como a poesia irrompe de onde menos se espera, às vezes cheirando a flor, outras vezes com o olor de fruta podre e que na podridão se abisma. E quanto mais perto da noite, mais grita o aroma, ora num mar de silêncio, ora num pequeno armarinho do Estácio ao cair da tarde. É que, quando eu entrei naquele armarinho do Estácio, caí na minha própria realidade. O armarinho do Estácio, imagine, foi em 1955, e eu não esperava falar sobre isso. Lembro-me de que eu estava ali com o Amílcar de Castro. Paramos para esperar o ônibus. 0 sol estava brabo e então resolvi entrar naquela loja ordinária, onde vi uma caixa de papelão com xícaras empoeiradas.
Xícaras empoeiradas
numa caixa de papelão
enquanto os ônibus passam ruidosamente
à porta e ali
dentro do silêncio da tarde menor do comércio
do Rio de janeiro
na loja do Kalil
estaria nascendo
o poema?

Eu já estava mergulhando no poema, mas o ônibus chegou e o encanto se esvaiu. Esse poema acabou nascendo 32 anos depois e no justo momento em que comecei a escrever outro [...]

Entrevista publicada em Poesia Sempre - Ano 6 - Número 9, março de 1998

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Uma doce anarquista


Este é um pequeno trecho de uma entrevista de Rachel de Queiroz, publicada na Brazzil Magazine sob o título de "Uma Doce Anarquista" (tradução do inglês por Maria Esther Torinho)
[...] Entre xícaras de café em seu apartamento do Baixo Leblon, um dos mais agitados locais das vizinhanças do Rio, que contrasta drasticamente com a serenidade da autora, ela falou sobre o início de sua carreira, sua militância no PCB (Partido Comunista Brasileiro), seu trabalho literário e sua esperança no futuro do Brasil, tanto do ponto de vista político como da Literatura.
Durante a entrevista o café é trazido. Rachel de Queiroz então revela um talento que nada tem a ver com a Literatura. Ela apanha um pedaço de papel, dobra-o algumas vezes e o transforma em uma pequena xícara, na qual serve o café e o toma. "Esta é a forma como tomávamos café nos velhos cômodos das redações de jornais? Eu não tomava café nessas xícaras imundas. Deste jeito, é muito mais saudável" - ela diz [...]