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terça-feira, 23 de junho de 2015

Os símbolos perdidos de Brasília

As histórias que teriam inspirado a criação do Congresso, da Catedral e do Memorial JK intrigam os brasilienses

Você pode não gostar, mas não pode dizer que já viu algo igual, costuma ser o bordão de Oscar Niemeyer para definir sua maior criação, a cidade de Brasília. O homem que dobrou o concreto como se fosse folha de papel viu prosperar a sua revelia lendas intrigantes em torno de algumas de suas obras. Confira a seguir o simbolismo alegado em três importantes projetos do arquiteto (estou reproduzindo só uma, a que inspirou o projeto do Congresso Nacional).
 
A xícara e o pires do Congresso
Quem olha de longe o prédio do Congresso vê que o plenário da Câmara se parece com um pires. E que o do Senado tem a forma de uma xícara emborcada. Ao traçar as formas Niemeyer teria se inspirado num diálogo ocorrido entre George Washington e Thomas Jefferson, na fundação dos Estados Unidos. Durante um chá da tarde, Washington defendia a existência de duas casas, Jefferson argumentava que seria melhor ter apenas uma assembleia legislativa.
- Por que você põe o chá no pires? - teria dito Washington.
- Para esfriar - teria sido a resposta de Jefferson.
Como a República brasileira nasceu bicameralista, com uma casa esfriando os debates calorosos da outra, o Congresso brasileiro ganhou a forma de uma xícara e um pires na sua transferência para Brasília.
 
Reportagem de Luciano Suassuna, iG São Paulo | 19/04/2010
 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Origem das xícaras

Existiram objetos semelhantes a xícaras (tigelas com alças) na Grécia de dois mil anos atrás. Também havia objetos parecidos com canecas feitos por povos pré-colombianos. Entretanto, quando o chá começou a ser popularizado na Europa, principalmente na Inglaterra, vindo do oriente, vieram junto as porcelanas chinesas e japonesas. Assim, o chá, inicialmente, era tomado em tigelas (bowl em inglês, bol em francês), da mesma forma que faziam os orientais.

A história do chá se iniciou na antiga China há 5.000 anos. De acordo com a lenda, o jovem imperador Shen Mong era um hábil soberano, criativo cientista e também patrono das artes. Seu avançado senso de organização, entre outras coisas, determinava que toda e qualquer água, para ser ingerida, deveria ser fervida, como precaução higiênica. Certo dia, durante o verão, quando visitava uma região distante de seu império, ele sua corte pararam para descansar. De acordo com suas ordens, quando os servos ferviam a água para consumo dos membros da corte, folhas secas de um arbusto próximo caíram sobre a água fervente e um líquido de coloração castanha começou a infundir-se na água. Como era cientista, o imperador se interessou pelo novo líquido, bebeu um pouco e o considerou muito refrescante. E então, de acordo com a lenda, foi criado o chá. O seu consumo se espalhou pela cultura chinesa, alcançando todas as classes da sociedade.

Muitas lendas relatam a possível origem do café. Uma das mais aceitas e divulgadas é a do pastor Kaldi, que viveu na Absínia, hoje Etiópia, há cerca de mil anos. Ao ver a agitação das cabras de seu rebanho após a ingestão de alguns frutos do cafeeiro, ele provou os frutinhos avermelhados, comprovando seu poder excitante. Kaldi comentou sobre o comportamento dos animais com um monge da região, que decidiu experimentar o poder dos frutos. Ele começou a utilizar os frutos na forma de infusão, percebendo que a bebida o ajudava a resistir ao sono enquanto orava ou em suas longas horas de leitura do breviário. Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monastérios, criando uma demanda pela bebida. As evidências mostram que o café foi cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no Yemen.

Xícaras desenhadas especialmente para café, chocolate ou chá começaram a aparecer na Europa no século XVII. Essas bebidas eram muito caras e os primeiros utensílios eram feitos de prata, para as pessoas mais ricas. O uso da prata era, entretanto, inviável, porque o líquido quente deixava as xícaras também quentes e difíceis de serem manuseadas. O arquit4eto inglês Robert Adam, em 1750, preocupado e incomodado com as pessoas queimando os dedos, sugeriu ao seu amigo, o ceramista Josiah Wedgwood, a colocação de alças nas tigelas. Estava criada a xícara de chá como a conhecemos. A firma Wedgwood & Sons, fundada em 1759, prosperou e ainda hoje fabrica peças de porcelana (ou faiança). Na medida em que a cerâmica era desenvolvida, no século XVIII, as xícaras de prata começaram a desaparecer.

No período de 1700 havia, em toda a Europa, centenas de casas de café e chocolate, onde as pessoas podia se encontrar para discutir as novidades do dia, encontros políticos, combinar casamentos, jogar e muitas outras atividades. Dizem que a mundialmente conhecida companhia de seguros Lloyd’s of London Insurance Company começou a ser pensada em um encontro em uma Cafeteria. Outra história conhecida é que os planos para a Revolução Americana eram discutidos na Merchants Coffeehouse em New York em 1738.

O aumento da popularidade do chá e do café levou-os a serem consumidos nas casas, tornando-os acessíveis aos homens comuns e aumentado a indústria da porcelana através do mundo.
Até 1800 as famílias abastadas brasileiras importavam sua louça (porcelana) diretamente da Inglaterra e da França. Com a vida da família real portuguesa e sua corte em 1808, vieram também as porcelanas finas e pratarias usadas na Europa.