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quarta-feira, 5 de setembro de 2018
quarta-feira, 14 de junho de 2017
As xícaras na obra de Fernando Pessoa

Ontem (13 de junho) foram comemorados 129 anos do nascimento de Fernando Pessoa, um dos mais importantes poetas da língua portuguesa.
O pequeno trecho que reproduzo aqui está no Livro do Desassossego, de Bernardo Soares (um dos heterônimos de Fernando Pessoa).
"Concentrei e limitei os meus desejos, para os poder requintar melhor. Para se chegar ao infinito, e julgo que se pode lá chegar, é preciso termos um porto, um só, firme, e partir de ali para Indefinido.
Hoje sou ascético na minha religião de mim.
Uma chávena de café, um cigarro e os meus sonhos substituem bem o universo e as suas estrelas, o trabalho, o amor, até a beleza e a glória. Não tenho quase necessidade de estímulos. Ópio tenho-o eu na alma.
Que sonhos tenho? Não sei. Forcei-me por chegar a um ponto onde nem saiba já em que penso, em que sonho, o que visiono. Parece-me que sonho cada vez de mais longe, que cada vez mais sonho o vago, o impreciso, o invisionável."
sexta-feira, 5 de maio de 2017
"A Brasileira", café em Lisboa
Anúncio do café "A Brasileira", de Lisboa. Este anúncio é antigo, mas o café continua lá. Contam os biógrafos do escritor Fernando Pessoa que ele estava sempre por lá, tanto que o homenagearam com uma estátua à porta. Esta estátua é um dos pontos preferidos dos brasileiros que vão a Portugal. Na foto, minha amiga Josiane (querida professora da UNIMEP) "abraça" um dos seus escritores prediletos.
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Uma chávena de café n'A Brasileira
Fachada do Café "A Brasileira", em Lisboa.
Uma
chávena de café n’A Brasileira
A
minha indumentária não é apropriada ao tempo.
Tenho
frio, estou cansado, sinto-me sozinho. Tenho os meus companheiros ao meu lado,
mas sinto-me sozinho. Sinto um vazio dentro de mim, quase como se existisse um
buraco no meu peito, deixando escapar os meus sentimentos. O único sentimento
que permanece é a dor - a dor relembra-me que estou vivo, por isso deveria
estar aliviado.
Avisto
um café. Aliás, avisto O café. Vou lá todas as manhãs para beber um café e
para conversar.
O
meu lugar habitual está livre - já se habituaram à minha presença, todos os
dias, naquela mesma mesa, por isso não a ocupam. Agradeço-lhes mentalmente.
Despeço-me
dos meus companheiros e sento-me. O empregado atrás do balcão vê-me e sorri,
levantando o seu chapéu. Os seus lábios formam as palavras "o
habitual?" e eu anuo. Segundos depois, tenho uma fumegante chávena de
café.
Ouço
passos e a cadeira ao meu lado é arrastada. Alguém se senta. Não preciso de olhar
para saber de quem se trata. É ela.
Ophélia.
Conversamos
durante algum tempo e eu chego mesmo a rabiscar-lhe um pequeno poema num
guardanapo. Ela lê o que lhe escrevi e vejo as lágrimas nos cantos dos seus
olhos. O seu próprio nome parece uma canção, um poema, assim que o
pronuncio. Ela sorri-me, inclinando-se para mim e acariciando-me a mão. Sinto o
seu perfume e sinto-me renascido.
Ela
acaba por se ir embora e o vazio regressa. Sinto apertos no peito, como se
Ophélia tivesse levado o meu coração consigo.
Decido
ir embora também, acenando aos meus companheiros.
Deixo
o guardanapo em cima da mesa, preso debaixo da minha chávena de café, com
esperança de que Ophélia regresse para o vir buscar, guardando o meu coração
junto ao dela.
Fernando Pessoa
Texto publicado originalmente no site arquivopessoa.net
sexta-feira, 30 de março de 2012
Selo português homenageia Fernando Pessoa
Valor facial do selo: 10$00 (Dez Escudos)
Método de impressão: off-set em papel esmalte
INCM Imp. (Impresso pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda de Portugal)
CEPT (Conferência Européia das Administrações Postais e de Telecomunicações)
Em 1975 foi lançado em Portugal um selo em homenagem a Fernando Pessoa e à pintura portuguesa do Século XX, com a imagem do quadro "Fernando Pessoa Lendo Orpheu", pintado por Almada Negreiros (1893-1970), hoje existente na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa.
Método de impressão: off-set em papel esmalte
INCM Imp. (Impresso pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda de Portugal)
CEPT (Conferência Européia das Administrações Postais e de Telecomunicações)
Em 1975 foi lançado em Portugal um selo em homenagem a Fernando Pessoa e à pintura portuguesa do Século XX, com a imagem do quadro "Fernando Pessoa Lendo Orpheu", pintado por Almada Negreiros (1893-1970), hoje existente na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa.
O quadro mostra, obre a mesa, uma xícara de café e o exemplar da Revista Orpheu (nº 2), criada em 1915 por Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Luís de Montalvor e pelo próprio Almada Negreiros. Eu postei aqui no blog, em 21 de outubro de 2011 uma foto do quadro. Depois disso é que consegui o selo.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Almada Negreiros
Retrato de Fernando Pessoa (2,1m x 2,1m) pintado por José Sobral de Almada Negreiros (1893-1970) em 1954, especialmente para o Restaurante Irmãos Unidos, de Lisboa. Almada Negreiros era um artista multidisciplinar: pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo e romancista ligado ao grupo modernista português. É considerado um dos nomes maiores da cultura lusa por ser um artista multifacetado, mas sobretudo pela genialidade imposta em todas as suas criações. Fez parte da revista Orpheu, tornando-se juntamente com Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, entre outros, um dos nomes essenciais do modernismo. Mostrou sempre estar à frente do seu tempo.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Café "A Brasileira" - Lisboa, Portugal
Fundado em 1905 como loja de café brasileiro (então uma bebida exótica para os europeus), o estabelecimento servia gratuitamente uma xícara para quem comprasse um quilo do pó. Aos poucos, o consumo da bebida ganhou mais importância do que a do produto seco, e A Brasileira virou ponto de encontro de boêmios portugueses
A ligação de Fernando Pessoa (que nasceu no vizinho Largo de São Carlos) à Brasileira era de tal modo forte que foi levantada uma estátua em bronze do poeta na esplanada do café, da autoria de Lagoa Henriques.
Conta uma das biógrafas de Cecília Meireles que, numa de suas viagens a Portugal ela marcou um encontro com o poeta Fernando Pessoa no café. Sentou-se ao meio-dia e esperou em vão até as duas horas da tarde. Decepcionada, voltou para o hotel, onde recebeu um livro autografado pelo autor lusitano. Junto com o exemplar, a explicação para o "furo": Fernando Pessoa tinha lido seu horóspoco pela manhã e concluído que não era um bom dia para o encontro.
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quarta-feira, 10 de março de 2010
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