Filme produzido e dirigido por pelo barista Otávio Linhares
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terça-feira, 30 de novembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Sobre xícaras de chá e delicadeza
Às oito da manhã, meu apartamento recende a café recém coado. É um aroma rico e revigorante, do meu café preferido, forte e escolhido a dedo. Enquanto esse perfume me desperta, a maciez dos lençóis de puro algodão, perfumados com lavanda, me envolve, me aconchega. Custo a abrir os olhos, a porta da cozinha cuidadosamente fechada para que haja silêncio e apenas o calor da xícara fumegante e um sorriso venham interromper meu sono.
À tardinha, meu apartamento recende a qualquer coisa recém tirada do forno. Aromas reconfortantes de molhos preparados em fogo brando, perfumados com manjericão e alecrim, derramados com afeição sobre opulentos pratos de massa vistosa.
Eu acredito em eu-te-amos de camomila, maçã e canela. Acredito em eu-te-amos que saem de borbulhantes panelas ou do vapor do ferro de passar. Eu-te-amos silenciosos e sorridentes, gentis e educados, corteses, delicados.
Acredito no amor que nutre. Que desperta apetites, envolve os sentidos, alimenta vontades, sustenta o espírito.
Acredito em ogros que preparam xícaras de chá delicadas. Em mulheres fortes e independentes que perfumam com lavanda lençóis bordados com as próprias mãos.
E se o amor é paradoxal e caprichoso, a delicadeza nas relações é permanência.
Ana Paula Sampaio, 2009
À tardinha, meu apartamento recende a qualquer coisa recém tirada do forno. Aromas reconfortantes de molhos preparados em fogo brando, perfumados com manjericão e alecrim, derramados com afeição sobre opulentos pratos de massa vistosa.
Eu acredito em eu-te-amos de camomila, maçã e canela. Acredito em eu-te-amos que saem de borbulhantes panelas ou do vapor do ferro de passar. Eu-te-amos silenciosos e sorridentes, gentis e educados, corteses, delicados.
Acredito no amor que nutre. Que desperta apetites, envolve os sentidos, alimenta vontades, sustenta o espírito.
Acredito em ogros que preparam xícaras de chá delicadas. Em mulheres fortes e independentes que perfumam com lavanda lençóis bordados com as próprias mãos.
E se o amor é paradoxal e caprichoso, a delicadeza nas relações é permanência.
Ana Paula Sampaio, 2009
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
O mestre e a xícara de chá
Certo mestre Zen japonês recebeu um professor universitário de filosofia que o procurou para informar-se sobre o Zen. Desde o inicio do encontro, ficou claro para o mestre que o professor não estava tão interessado em aprender sobre o Zen, mas sim, em como impressionar o mestre com suas opiniões, conhecimento, e crítica sobre a doutrina.
O mestre ouviu-o pacientemente, algumas vezes concordando com os dizeres do filósofo, sugerindo ao fim que fossem tomar chá. Ao servi-lo, o mestre encheu a xícara de seu visitante e continuou despejando o chá. O professor olhava a xícara com o chá derramando, até que não conseguiu mais se conter:
“A xícara está cheia! Não cabe mais!”.
O mestre imediatamente retorquiu, embora continuando a despejar:
“Como esta xícara, você está cheio de razões. Como poderei mostrar-lhe o Zen, a menos que você esvazie antes a sua xícara?”.
Este texto aparece várias vezes na internet, sem indicação precisa de seu autor.
O mestre ouviu-o pacientemente, algumas vezes concordando com os dizeres do filósofo, sugerindo ao fim que fossem tomar chá. Ao servi-lo, o mestre encheu a xícara de seu visitante e continuou despejando o chá. O professor olhava a xícara com o chá derramando, até que não conseguiu mais se conter:
“A xícara está cheia! Não cabe mais!”.
O mestre imediatamente retorquiu, embora continuando a despejar:
“Como esta xícara, você está cheio de razões. Como poderei mostrar-lhe o Zen, a menos que você esvazie antes a sua xícara?”.
Este texto aparece várias vezes na internet, sem indicação precisa de seu autor.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Menina na xícara
Esta é uma xícara virtual. Achei muito interessante um site que encontrei por acaso, onde você pode inserir fotos em qualquer tipo de imagem. Eles têm quadrinhos com times de futebol, bichos, flores, paisagens, mensagens de todo tipo, etc. Gostei muito desta moldura de xícara e resolvi colocar a Mariana aqui. Não ficou lindo?
É simples e rápido e, principalmente, fácil (para quem não sabe lidar com fotoshop como eu).
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
é pique! é pique! rá! tchin! bum!!!
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Xícara azulzinha
Xícara de chá japonesa, da marca Nazco, da minha coleção.
Meu amor está comigo. Nunca foi embora. Sonhei. Foi assim: abri o armário do quarto e nossas roupas estavam ali no maior rela-rela. Fui pra cozinha e à mesa, junto da minha xícara havia outra de café já tomado. Farelos de pão na toalha, no ladrilho.
Andei pela casa e fui encontrando um livro aberto aqui, uma revista fora do lugar ali. Cheguei à varanda e lá estava ele, no jardim, descalço, de jeans desbotado, camiseta pedindo outra de tão velha. Lá estava ele a brincar com os cachorros. Havia sol e as flores de sempre.
Tanto tempo se passou, dez anos, mais de dez, e ele não envelhecera. Estava igual quando disse que me amava, mas que me deixaria.
No sonho, parecia que o sonho era eu ter ido embora. Ter ido embora por tanto tempo e voltado. E ele ali a me esperar descalço, de jeans desbotado, camiseta pedindo outra de tão velha. Quando acordei meu coração doeu. Depois já não era o coração, era a cabeça. Levantei-me e fui ver o que a varanda e o jardim me reservavam. Nenhum riso, nem latidos. Na cozinha, prontinho o meu café. O pão para a torrada, a manteiga. A fruteira e a xícara azulzinha. Sozinha.
Clara Favilla, 2009.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Albert Lynch
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Entrevista com Ferreira Gullar
Na tarde do dia 19 de fevereiro de 1997, na redação de Poesia Sempre, o poeta Ferreira Gullar concedeu uma longa entrevista à revista sobre o problema da poesia na crítica literária e da cultura brasileira. Estavam presentes o editor-geral da revista, Antônio Carlos Secchin que atuou também como mediador, o editor executivo Ivan Junqueira e os editores adjuntos Adriano Espínola, Jorge Wanderley, Moacyr Félix, Neide Archanjo e Suzana Vargas. Transcrevo aqui uma das respostas do poeta.
[...] assim nasceu "Nasce o poema", onde tento descrever como surge a poesia quando um flâneur caminha solitário em meio à multidão. Ninguém sabe exatamente como a poesia irrompe de onde menos se espera, às vezes cheirando a flor, outras vezes com o olor de fruta podre e que na podridão se abisma. E quanto mais perto da noite, mais grita o aroma, ora num mar de silêncio, ora num pequeno armarinho do Estácio ao cair da tarde. É que, quando eu entrei naquele armarinho do Estácio, caí na minha própria realidade. O armarinho do Estácio, imagine, foi em 1955, e eu não esperava falar sobre isso. Lembro-me de que eu estava ali com o Amílcar de Castro. Paramos para esperar o ônibus. 0 sol estava brabo e então resolvi entrar naquela loja ordinária, onde vi uma caixa de papelão com xícaras empoeiradas.
[...] assim nasceu "Nasce o poema", onde tento descrever como surge a poesia quando um flâneur caminha solitário em meio à multidão. Ninguém sabe exatamente como a poesia irrompe de onde menos se espera, às vezes cheirando a flor, outras vezes com o olor de fruta podre e que na podridão se abisma. E quanto mais perto da noite, mais grita o aroma, ora num mar de silêncio, ora num pequeno armarinho do Estácio ao cair da tarde. É que, quando eu entrei naquele armarinho do Estácio, caí na minha própria realidade. O armarinho do Estácio, imagine, foi em 1955, e eu não esperava falar sobre isso. Lembro-me de que eu estava ali com o Amílcar de Castro. Paramos para esperar o ônibus. 0 sol estava brabo e então resolvi entrar naquela loja ordinária, onde vi uma caixa de papelão com xícaras empoeiradas.
Xícaras empoeiradas
numa caixa de papelão
enquanto os ônibus passam ruidosamente
à porta e ali
dentro do silêncio da tarde menor do comércio
do Rio de janeiro
na loja do Kalil
estaria nascendo
o poema?
numa caixa de papelão
enquanto os ônibus passam ruidosamente
à porta e ali
dentro do silêncio da tarde menor do comércio
do Rio de janeiro
na loja do Kalil
estaria nascendo
o poema?
Eu já estava mergulhando no poema, mas o ônibus chegou e o encanto se esvaiu. Esse poema acabou nascendo 32 anos depois e no justo momento em que comecei a escrever outro [...]
Entrevista publicada em Poesia Sempre - Ano 6 - Número 9, março de 1998
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
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